É só mais um cigarro, ela pensa, ‘parei de fumar... Umas dezoito vezes esse ano’. Ela tenta acreditar no que ouviu. Olhar os olhos dele e ver a verdade que eles exportam não a ajuda em nada, principalmente quando os olhos dela só vêem o que sua mente deseja.
Olhar no espelho e tentar ver alguma verdade nesses olhos de japonesa se tornou atividade banal. Acreditar em mentiras também. Ela não sabe no que acreditar, mas ela quer crer que é verdade o que ele lhe disse com um cinismo tão disfarçado, uma mentira tão fantasiada de verdade.
Ela queria que ele soubesse como ela se sente, ela queria que todos soubessem como ela se sente, mas ela não fala, nunca fala, e mesmo quando todos falavam, inclusive ele, ela só escutava, não formulou nada, nem uma maldita frase. Ela é assim: inutilmente muda, e muda, renuncia qualquer palavra.
Ela volta pra sua vida, pros seus livros, pro seu espelho que não mostra nada, Ela volta a escrever se sentindo ridiculamente subjetiva e egoísta, mas ela é assim, ela sempre foi assim.

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