sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Vôo





O som da voz dele no doce 'eu te amo'. Pulando enquanto falava ao telefone, ela estava feliz, não, ela estava extraordinariamente feliz. Excitação, emoção, êxtase.

Porque voltar, se o caminho de ida me leva a ti? É uma estrada de mão dupla e o caminho de volta é certo e seguro, mas é vazio. Soluços e lágrimas que não existem, são teus passos abrindo espaço em meio a tudo o que me faz triste. Uma estrada iluminada a minha frente, sem sinais de pare, nem semáforos, não há porque ir devagar, não há mais ninguém nela, só existe nós dois.
Inquietação é seu estado atual, ela quer mais. Mais da vida, mais do amor, mais de tudo. Não há porque esperar, o futuro se mostra glorioso e o amanhã nasce cheio de possibilidades.
Muitas e muitas possibilidades circundam uma única certeza. Certeza? Ela deixa seu estado natural de incerteza sobre tudo pra se lançar sobre uma tênue e ameaçadora camada de esperança.
Ela não tem mais medo da queda, ela abre suas asas e flutua em direção a um futuro certo de ser incerto, O céu está azul e não há barreiras.
Nem limites.
É um céu limpo, é uma estrada aberta, não existem obstáculos, o percurso está finalmente seguro.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Frágilidade




Fragilidade é a conseqüência de muitos erros, muitos acertos que deram errado, muitas faltas injustificadas, telefonemas não atendidos, cartas não enviadas. Frágil, tu me olha assim, com essa calma disfarçada, implorando força, pedindo pra que eu te cuide, pra que eu te mostre o caminho. Vem, anda ao meu lado, eu não posso te pegar no colo. Não agora. Bem que eu queria.

Chuva



Ela abriu seus olhos e sorriu no dia de hoje, ultimamente isso tem sido bem dificil, ela sabia o que a esperava naquele dia e sim, estava muito ansiosa. As coisas andaram muito, muito confusas pra ela, e ela não sabe mais o que pensar, ela não sabe em quem confiar, mensagens no celular se tornaram um certo tipo de problema, mas assim mesmo, ela espera, ela quer saber como ele se sente, a cada minuto do seu dia, e a cada minuto em que nada acontece, ela fica fantasiando sobre as mil situações nas quais ele deve ter se metido, e sobre os lugares em que ele deve ter estado, as pessoas com as quais ele deve ter falado, e o fato de ela não estar lá. Nenhuma vez ela pode estar lá. É um relacionamento complicado, e enquanto ele escreve coisas que a fazem repensar sobre tudo e relembrar o quanto ele é maravilhoso, ela só sabe escrever coisas tristes, ela não SABE escrever nada bom, mas ela tenta, ela sempre tenta.

--Alô?
Ela atendeu o telefone sabendo quem era, ela esperava aquela ligação que dizia 'vim te ver e estou te esperando, aparece de uma vez'.
Ouvir aquilo fez ela largar tudo o que estava fazendo. Guardou suas coisas naquela bolsa enorme e esqueceu algumas coisas la, mas isso ela só soube depois. Ela desceu as escadas e quase caiu no ultmo degrau, caminhou rápido em direção a praça, e ao vê-lo, não hesitou em correr.
Pular nos braços dele a fez respirar um pouco naquele dia insuportavelmente quente, e abraça-lo, ouvir seu coração pulsando rápido, foram combustíveis pra um novo sorriso. Todos os gestos dele são combustíveis pra um novo sorriso. E cada palavra dele é a combustão necessária pra tudo explodir dentro dela.
Foram algumas poucas horas contadas em que um aproveitou a companhia um do outro. Ela nem lhe disso como estava feliz em vê-lo, ela nem disse o quanto adora quando ele a chama de 'minha bela', ela nem lhe disse nada. Ela estava embriagada com aqueles olhos verdes, e ficava pensando em como pode ficar tanto tempo sem olhar aqueles olhos verdes faiscantes de algum sentimendo inominado.
Choveu, e foi pra ela, e cada gota de chuva que embebia suas roupas era a felicidade que ela sentia, ela chegou em casa enxarcada, de tudo. Enxarcada de chuva, de alegria, de sonhos futuros e promessas que não foram ditas, ela chegou em casa enxarcada de um futuro que se abria a sua frente, ela chegou enxarcada da presença dele, não a presença fisica, mas mesmo assim, ele estava de alguma forma, lá.

A presença dele passou depois de alguns instantes, e a realidade mais uma vez lhe acertou bem na cara, ela voltou a pensar no que estava fazendo e se estava certo, se daria certo, e ela não obteve resposta.

O rumo que a vida dela está tomando é surpreendente e assustador, ela não é justa, e as escolhas que fez não são certas, pra lado algum.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Angústia

Ela anda em circulos naquela praça ja conhecida aos dois, não ha lugar pra ir, não ha nenhum lugar para o qual ela queira ir. São tantas as palavras que ela esconde naquele olhar de quem sabe que está confusa. Inumeros são os motivos pra que elas se mantenha calada, inumeras são as chances de ela se machucar.
Ela tenta não parecer frágil, ela tenta manter-se calma enquanto a presença dele a faz tremer, ela nem sabe se disfarça bem o modo como ele a atrai, o modo como aqueles óculos escuros o deixam sexy, o modo como ele anda tão cheio de si, ela se sente tão bem ao caminhar ao lado dele pela cidade já conhecida. As perguntas não respondidas que lhe vêm à mente não são nada comodas, mas a presença dele é, o modo como ele sorri ao falar sobre as suas saidas, suas noites fora e seus amigos caidos em bares, o modo como ele conforta-a dizendo pra ela não se preocupar com isso, o modo como ele carrega as coisas dela, tudo a atrai cada vez mais, e cada vez mais ela tem medo. Sim, ela mentiu quando disse que não tinha medo, mas é impossivel quando as pessoas ficam aos seus ouvidos sussurando impropérios sobre uma pessoa importante, é impossivel que ela não dê atenção não é? Ela tenta ao máximo fingir que está tudo bem.
Mas não está.
Ela ouviu sua voz hoje, o que foi muito bom, ele só queria desejar boa noite, ela não entendia nada, mas isso não importava, ele estava lá, do outro lado lado da linha, e pensava nela.
Ela foi dormir pensando em como ele estava, preocupada com banalidades, e coisas como o fato de ele ter estado doente, ela estava realmente preocupada, 'ele nem vai se cuidar,' ela pensa, mas ele sabe se cuidar, e não precisa de ninguem por ele, ele é grande, ela não, e por vezes, isso a preocupa muito.
Ela pensou tantas vezes em ligar essa semana, foram dias que se passaram como meses, e ela quis muito saber como ele estava e em que pensava, mas não, ela não vai ser insistente, ela espera, e todos os dias procura ele por meios internéticos, qualquer palavra dele.
Não foram raras suas aparições em lugares públicos essa semana, e ela andava olhando em volta, e várias vezes, ao não ver nada, ao não ver ele, voltava a sua atenção para si, ela queria muito ao menos ver a figura dele, ela queia ver aquele jeito pretensioso de andar, aquele cabelo estrategicamente bagunçado, aquele sol que ele irradia, mas isso é efeito particular deles dois, ele o faz só pra ela, e nem sabe disso. Ele não sabe o quanto significa pra ela, e o quanto ela pensa no que isso pode se tornar. Ela tem decisões a tomar, e ele não vai gostar, mas ele não sabe como é difícil pra ela, fazer o que tem que fazer.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Término



Um fim é sempre triste, não é um recomeço, não é uma curva na estrada, é o final dela.
Ela se sentou em seu sofá e enterrou o rosto entre as mãos, não sabia dizer se tinha feito certo ou não, mas uma coisa que não podia mais era continuar com aquilo. Ele estava furioso, realmente bravo e decepcionado, jogara coisas nas parede, derrubara móveis e gritava com ela. Mas ela não se importava, ele tinha esse direito, como ela também tinha o direito de terminar uma coisa que ela não queria mais.
O pseudo relacionamento de dois anos se findara de maneira amargurada e hostil, e ela dormiu pensando se tinha feito certo ou não. Ele disse que ela não se importava, mas ela sonhou com ele, e acordou pensando nele, e mesmo depois de um dia atarefado tentando se distrair comprando livros, ela não deixou de pensar nele, ela não deixa de pensar nele.
Ela então volta pra sua casa, guarda seus livros e faz seu café. As pessoas em casa perguntam e ela não responde, chamam e ela não atende. O telefone toca e ela não ouve. Ela morreu.