terça-feira, 9 de novembro de 2010

Chuva



Ela abriu seus olhos e sorriu no dia de hoje, ultimamente isso tem sido bem dificil, ela sabia o que a esperava naquele dia e sim, estava muito ansiosa. As coisas andaram muito, muito confusas pra ela, e ela não sabe mais o que pensar, ela não sabe em quem confiar, mensagens no celular se tornaram um certo tipo de problema, mas assim mesmo, ela espera, ela quer saber como ele se sente, a cada minuto do seu dia, e a cada minuto em que nada acontece, ela fica fantasiando sobre as mil situações nas quais ele deve ter se metido, e sobre os lugares em que ele deve ter estado, as pessoas com as quais ele deve ter falado, e o fato de ela não estar lá. Nenhuma vez ela pode estar lá. É um relacionamento complicado, e enquanto ele escreve coisas que a fazem repensar sobre tudo e relembrar o quanto ele é maravilhoso, ela só sabe escrever coisas tristes, ela não SABE escrever nada bom, mas ela tenta, ela sempre tenta.

--Alô?
Ela atendeu o telefone sabendo quem era, ela esperava aquela ligação que dizia 'vim te ver e estou te esperando, aparece de uma vez'.
Ouvir aquilo fez ela largar tudo o que estava fazendo. Guardou suas coisas naquela bolsa enorme e esqueceu algumas coisas la, mas isso ela só soube depois. Ela desceu as escadas e quase caiu no ultmo degrau, caminhou rápido em direção a praça, e ao vê-lo, não hesitou em correr.
Pular nos braços dele a fez respirar um pouco naquele dia insuportavelmente quente, e abraça-lo, ouvir seu coração pulsando rápido, foram combustíveis pra um novo sorriso. Todos os gestos dele são combustíveis pra um novo sorriso. E cada palavra dele é a combustão necessária pra tudo explodir dentro dela.
Foram algumas poucas horas contadas em que um aproveitou a companhia um do outro. Ela nem lhe disso como estava feliz em vê-lo, ela nem disse o quanto adora quando ele a chama de 'minha bela', ela nem lhe disse nada. Ela estava embriagada com aqueles olhos verdes, e ficava pensando em como pode ficar tanto tempo sem olhar aqueles olhos verdes faiscantes de algum sentimendo inominado.
Choveu, e foi pra ela, e cada gota de chuva que embebia suas roupas era a felicidade que ela sentia, ela chegou em casa enxarcada, de tudo. Enxarcada de chuva, de alegria, de sonhos futuros e promessas que não foram ditas, ela chegou em casa enxarcada de um futuro que se abria a sua frente, ela chegou enxarcada da presença dele, não a presença fisica, mas mesmo assim, ele estava de alguma forma, lá.

A presença dele passou depois de alguns instantes, e a realidade mais uma vez lhe acertou bem na cara, ela voltou a pensar no que estava fazendo e se estava certo, se daria certo, e ela não obteve resposta.

O rumo que a vida dela está tomando é surpreendente e assustador, ela não é justa, e as escolhas que fez não são certas, pra lado algum.

Nenhum comentário:

Postar um comentário