Foram alguns dias. Alguns dos piores que ela já passou. A iminência do fim. A inerência que ele tinha à vida dela não foi o bastante, o estar sempre lá, sem estar, constantemente ausente, mas onipresente nela.
Aqueles foram carinhos de despedida, a mão dela segurando a dele, a cabeça dela encostando-se mais uma vez ao peito dele. Mais uma ultima vez. Doeu ficar ali, doeu ficar sabendo que não mais ficaria, doeu estar sabendo que a não mais estava.
Estava?
A reação inesperada dele ao ouvi-la. Apoiando-se nas mãos, acendendo o cigarro, tremulo. Ela também estava tremula.
Por dentro ela gritava pra que ele não a ouvisse, pra que ele simplesmente a olhasse, como que voltando pra realidade e perguntasse o que foi mesmo que ela falou, então ela revolveria memórias em busca de qualquer assunto que nada tivesse a ver com a despedida que a boca dela pronunciava enquanto todo o resto negativava. Ela negativava e mesmo assim seguia, ela nem sabia mais se conseguiria, pensou em desistir, uma vez, outra, outra, outra, outra, outra. Não desistiu, ela não muda de idéia, ou muda? Sim, ela muda, de cinco em cinco minutos ela pensa em ligar e disfarçar a voz de choro pra dizer que não passou de besteira, que mais uma vez ela seguiu por impulso.
Mas ela não vai ligar.
Tudo o que ela sentiu não diminuiu nem um décimo, nem uma gota, e é isso que é pior, mas acordar e saber que ele acabou de dormir, dormir sabendo que ele não esta ali, nem vai estar, simplesmente é demais pra ela, é demais pra ela agüentar, coisas demais pra suplantar. E ele vai perguntar se não vale a pena, vai perguntar por que ela não espera que tudo isso se resolva e ela não vai conseguir responder. Não é imediatismo, não é a percepção limitada de adolescente, não é a ansiedade que ela mostra tanto pelas suas unhas roídas e suas corridas ao encontro dele. Não é isso. Ela simplesmente não consegue mais. A distancia a fere de uma maneira que ela não explica, de uma maneira que ninguém explica.
Ela vai buscar todas as coisas que lhe foram negadas, ela vai se atirar sem medo de cair, ela vai cair, e não vai levantar, mas isso não importa. Ela não quer levantar. Ela ainda o ama.

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