quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Janela



Enjoar das coisas é tão incrivelmente fácil, mas sabe quando tu enjoa de si mesmo ; Olhando-se no espelho e vendo ali a mesmice e perguntando-se o que fazer com aquele sorriso desgastado, aquele olhar cansado e aquelas olheiras de noites não dormidas, de dias mal aproveitados. Fico pensando se um dia vou gostar do que ver. Como nas aulas de filosofia que tive há anos atrás, na escola, me olho no espelho e pergunto quem sou, já naquela época não tinha respostas, hoje tudo o que consegui foram mais perguntas.
Dias tolos. Leitura, escrita e nada mais. Um apartamento vazio e uma porta fechada. Passos na escada e eu sempre espero ouvir batidas na porta, não ouço.
Outro dia parei e olhei pela janela. Pela segunda vez desde que comprei o apartamento, há seis anos, a primeira foi há três meses, quando pensei em me jogar de lá. Não me joguei, a janela tinha grades.
Faltou-me coragem, ainda falta, sair é um desafio, lá fora existem pessoas, carros, postes, muros, ruas.
Ligo a televisão. Um comercial sobre sabão em pó, o jornal da noite.
Diiing Dong.
Me assusto, fico parado alguns segundos e olho pros meus pés. Talvez se eu esperar mais um pouco pare de tocar, talvez a pessoa desista em vá embora.
Diiing Dong.
Corri até a porta e abri, não há ninguém, o corredor está escuro e ainda há pó no corrimão.
Fecho a porta e ligo a televisão. Novela.
Vou até a armário e pego a chave de fenda. Hoje tiro aquelas grades.

Nenhum comentário:

Postar um comentário