terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Ano Novo



Rosas ao mar, brindes sendo feitos, garrafas sendo abertas, pulos desnecessários sobre ondas e pessoas bêbadas e felizes. Ela assistia a tudo isso, sentada na areia, distante daquilo, infelizmente não tanto quanto queria.
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Nada.
Feliz Ano Novo?
Ela não tinha nada a comemorar, não há muita expectativa quanto ao que se aproxima.
Ela levanta e pega seus sapatos: pretos. Ela não se veste de branco, ela não come lentilhas, não pula ondas. Ela desacredita.
-- Feliz Ano Novo, amor. –ela sussurra, levantando a garrafa de shampagne que ela não abriu.
Ela caminha pela praia, para onde os fogos de artifício são lançados com menor freqüência. Ela sabe que a estão procurando, mas não pensa em voltar, talvez quando amanhecer.
Nos últimos dias, em cada coisa que fazia, pensou em como seria se fosse ELE lá. Incrivelmente diferente, ela sabia, e muito mais calmo, ela esperava. Esperava? Porque? Ela não tem motivos pra esperar. Não tem motivos pra ficar naquela praia sozinha, esperando o aparecimento repentino dele. Mas ela está lá. Ela deixa tudo de lado e põe em risco o que ela achou que a faria feliz pra ficar lá, esperando ele miraculosamente aparecer.
Ela ainda espera.
Feliz Ano Novo.

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