terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Complexidade



As vezes penso ser a ultima pessoa sã na Terra. As vezes penso estar enlouquecendo. Sã. Ou senil antes de completar a maioridade. Quem sabe; Talvez esteja mesmo enlouquecendo, tirando borboletas dos cabelos... azuis, roxas, vermelhas. Afinal, sou só eu mesma. Eu, meus textos e meus leitores analfabetos funcionais. Acho que ando passando tempo demais com livros do meu querido Bukowski, ele não anda me fazendo bem. Na verdade, nada anda me fazendo bem.
Estou escrevendo por mim mesma hoje, é, talvez seja uma evolução. Ou não. Mas é que andei meio Caio Fernando ultimamente, “analfabeta de mim mesma, sem vocabulário pra explicar-me até para um espelho”, tenho relido-me e foi tão tolamente fácil me encontrar ali que achei estar expondo-me demais, escrever como eu mesma me anula um pouco, por incrível que pareça.
Essas coisas acontecem, eu sei, mas não consigo tirar da cabeça que não deveriam.
Escrevi um conto hoje, mas não terminei, disquei um numero de telefone, mas não falei. Não consegui lembrar como é que se faz aquela coisa de colocar um pé depois do outro e seguir em frente, eu devia ter saído pra procurar emprego, mas tudo que fiz foi parar nos bares da cidade, conversando com travestis, bêbados e as pessoas mais chapadas que encontrei. Logo eu. Conversando de igual pra igual, afinal, estamos todos lá, à margem de tudo, vivendo em nosso próprio mundo. Sobrevivendo, como aprendemos, como fomos obrigados a aprender.
Minha vida tem se mostrado assim: incompleta.
Completamente incompleta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário