domingo, 13 de fevereiro de 2011

Curiosidade



O que são poemas de amor, se não meras palavras amontoadas, comparadas às nossas mãos dadas, aos nossos passos ecoando. Juntos.
Músicas, frases, contos, filmes, não comparam, não me desarmam como a tua voz no meu ouvido, como tua língua nos meus lábios, como teus olhos dentro dos meus.
Eu queria saber como você se sente, se estremece quando eu te beijo, se sonha quando eu acordo ou espera quando eu demoro. Queria saber se a tua mão procura a minha, quando anda sozinho, se quando caminha, procura meus passos, se escuta minha voz quando acorda, se sentado, espera meu abraço.
Tão fácil pra mim, esperar tudo isso, tão fácil pra mim, fingir que é difícil.

Amizade



Vem, vamos, não importa o que aconteceu. Não importa o que não aconteceu. É manhã, o sol apareceu como em todos os outros dias, foi pra ti, foi pra lembrar que tudo vai continuar. Veeeem, a cidade é grande, as pessoas são lindas e a música é boa. Pára de pensar em tudo o que DEVIA ter feito, pensa no que pode fazer se tu sair daí. Eu te ajudo, vêm, eu fiz teu café. Como assim, não quer ; Eu fiz especialmente pra ti, do jeito que tu gosta, VEM! Levanta dessa cama e toma um banho. Isso, lembra ; um passo depois do outro, se tu esqueceu como faz eu te ajudo, eu vou contigo, só não pára de tentar, por favor, não pára de tentar, por que assim eu paro de respirar, o que me faz levantar e caminhar é saber que tu vai fazer isso também, então nada de ficar aí se lamentando. Vem, vamos, nós vamos seguir em frente, eu te ajudo, tu me ajuda e assim a gente continua... até aprendermos a andar sozinhos. Eu sei, eu sei, tu andou perdendo a prática, mas a gente recupera agora. Eu estou aqui e vou te ajudar, não se preocupa com mais nada, eu vou estar aqui, eu vou sempre estar aqui.

Fuga




Olhando pela janela, ela se depara com a chuva. Não há como não lembrar-se dele. Não importa o que aconteceu depois, aqueles dias vividos não se apagaram e voltam, revivem, reviram sua vida.

-- Já quer ir embora? –ela ouve, ao pé do seu ouvido.

-- Não.

-- Volta pra cama então.

-- Já vou.

Ele sai, mas ela continua lá.

-- Rápido, to te esperando – Ele grita, do quarto.

Ela se pergunta por que está ali, com aquela pessoa que fingi que ama, que finge que tem saudade, que finge que tem um futuro.

A chuva não para de cair. Ela põe suas roupas, pega suas coisas e sai. Sem bilhete de despedida, sem lugar pra ir. Ela não sabe onde ele está e nem o que estará fazendo, mas ela corre, ela se molha, ela vai encontrá-lo, ela vai parar de fugir, parar de fingir, ela vai viver.

Certeza




Eu sei que comigo tu não faz o que geralmente faz, tu modera tuas palavras, tu se porta como a boa pessoa que eu sei que não é, a arrogância é perceptível, mas todo o resto fica mascarado. Não se preocupe, eu não sou nenhuma tola, eu sei onde estou e para onde vou, eu sei me cuidar, sei como você é, acredite, já ouvi muito a seu respeito.
Eu digo que tenho certeza sobre nós, e sim, tenho certeza do que eu quero, eu quero tu, com todas as coisas que tu já fez, com todas as coisas que tu faz, com teus defeitos que eu sei que não são poucos, e suas qualidades, todas as qualidades que eu admiro tanto. TANTO.
Eu quero tu, quero o jeito que me olha e o jeito como não pára de falar, eu quero tu com tua risada discreta, com teu jeito arrogante de ser e agir, eu te quero com todas as coisas que eu ainda não conheço e posso vir a amar e odiar, eu quero tu.
Então não se preocupe tanto comigo, não sou de porcelana, e sim, vou me machucar, muitas e muitas vezes, mas quem nunca se machucou? Vou levantar e eu sei que tu vai me ajudar, vou jogar tudo e pro alto e nem vou ligar, por que certeza é indiferença, não é?
E se acaso, depois de tudo isso eu me machucar de novo e tu não estiver lá, não se preocupe, pare de se preocupar um pouco comigo, isso só causa rugas, amor, e eu prefiro seu rosto assim, além do mais, eu sempre vou levantar, eu tenho um futuro inteiro pela frente e ele vai ser incrível, eu vou me arriscar, vou cair e levantar, mas vou viver assim, porque aquilo que não te derruba, não te deixa grogue ou sem ar, não merece teu tempo, muito menos tua dedicação. Eu quero a vida, eu quero viver e aprender a viver.
Eu não sei o que a nossa história nos reserva, se ela vai ser longa, curta ou se tu vai me decepcionar, quem sabe me trair. O que eu sei é que eu não vou viver pensando em como seria se eu tivesse arriscado mais, se eu tivesse rido, se eu tivesse fugido, seu tivesse amado mais. Sim, tudo pode acabar numa grande tragédia, mas com certeza não será uma grande perda de tempo.  Te amar, não importa o que aconteça depois, nunca será uma perda de tempo.

Medos

Tudo está ficando bem agora, não há preocupações que me perturbem mais que a tua falta, não há escolhas difíceis a serem tomadas, por que o caminho se estende reto e infinito a nossa frente, amor.
Meu egoísmo é tão presente que me assusto as vezes, pois não sei o que acha disso, não sei o que quer, como quer e só tenho noção do que tudo pode vir a ser, passei tanto tempo cogitando hipóteses, desenrolando fatos e medindo a veracidade de histórias que simplesmente deixei de perguntar a tua opinião, tão preocupada que estava com a minha. E eu me importo, eu me importo com o que tu pensa, com o que tu quer e com o teu futuro. Não o nosso. O teu. Teus amigos, teus conhecidos, tua família, teu emprego, o livro que tu ainda vai escrever. Eu realmente acho que as pessoas deviam te ler, elas precisam ouvir o que tu tem pra falar.  Pra mim, tu as vezes fica tão preocupado com o meu futuro, com o que eu posso ser, que esquece um pouco de ti, e no meu egoísmo e empolgação, eu não te lembro, tu não lembra, e assim seguimos pensando só na metade de nós dois.
Eu não tenho medo, sabe, de que tu pare de se preocupar comigo.
Mentira, eu tenho, eu morro de medo.  Eu tenho medo de que quando tu parar de se preocupar comigo, tu veja que não tem mais por que estar ao meu lado. Morro de medo de tu se cansar e perceber que não é eu que tu quer, tenho medo de que tu preste atenção no que está fazendo e veja que eu não sou nada daquilo que devia ser, eu tenho medo de que tu repare que eu sou apenas uma pós adolescente boba, ingênua e sonhadora, NADA MAIS, não sou a potencial escritora de sucesso, sou apenas mais uma garota que escreve o que pensa com influencia no que lê, tem tanta gente melhor, tantas garotas iguais, não sei por que eu seria boa o suficiente.
Eu não me preocupo com o que meus pais vão pensar, nem meus amigos, eu me preocupo com o que TU vai pensar se eu não for tão boa quando tu diz que eu sou, se eu não tiver o potencial que eu, as vezes na minha pretensão, acho que tenho.
Acabo de reler as coisas que escrevi e fiquei espantada ao ver que eu realmente consegui, pela primeira vez, falar tudo o que queria e não consigo dizer quando teus olhos, tão perto dos meus, me roubam as palavras. Muda ao teu lado, mas cada vez menos, é estranho o tanto que eu quero estar contigo e te contar meus planos, sonhos, enganos e medos; Ouvir tuas histórias, saber como foi que tu ficou assim, tão perfeito pra mim, desde a infância completamente diferente de todos, tão parecido comigo e tão diferente de mim, tudo ao mesmo tempo. Isso, é isso o que tu é: tudo!
Boa noite, Anderson, meu amor.

Esses Olhos

Esses olhos. São ESSES olhos que eu vejo quando durmo, são os olhos que eu quero que nunca desviem dos meus, são esses olhos que petrificam minha atenção, são os olhos que eu quero ver, calmos, verdes, brilhantes de placidez, demonstrando a tua calma habitual, desmentindo tuas mãos nervosas, tua boca sedenta da minha. Esses olhos, essas mãos, é essa boca que eu quero pra mim, só pra mim. Os olhos que eu quero ver, ao acordar, olhos sorridentes, olhos sonolentos, entreabertos como um sorriso torto, ao meu lado na cama. Esses olhos e essas mãos, essas mãos segurando as minhas, me puxando pra mais perto quando, no frio, eu me encolher buscando a tua pele. Esses olhos, essas mãos, essa boca, essa boca doce, essa boca tremula chegando de leve na minha, rápida e áspera quando ansioso, espera minha chegada. É teu corpo inteiro, tua risada discreta, tua voz calma, tua certeza de tudo, teu orgulho de rei. É tu inteiro, é o que representa pra mim, é o que tu me mostra, é como tu me descobre, é como tu me ensina, me disciplina, me vive, me leva. É pra onde tu me leva, pro futuro, pra tua casa, pra tua cama, pra tua vida. É aonde eu quero chegar, é aonde nós vamos chegar.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Presa



Hoje me ative à vontade de transmitir mais que rimas, mais que sonetos, mais que frases de efeito, e acabei me voltando à simples menção do teu nome. Nenhuma informação plausível, nada. Estou me perdendo em ti, e perdendo tudo o que eu conseguia fazer quando as tuas palavras não dominavam a minha mente.

Me devolve meu eu.

Desabafo



É, voltei a escrever. Sabe, são três da manha e tu ainda não apareceu. Mas quer saber ; Eu não parei de respirar, não morri. Sei que tu foi procurar mais uma vez em outras bocas o que não encontrou na minha. Gosto de vodka? Oh, querido, devia estar aqui então, por que foi ela que me ajudou a ficar inteiro. Não inteiro completamente, nunca superestimei o seu poder, mas eu não desmoronei, nem me desfiz em pedaços apesar das rachaduras. Não se preocupe com isso, você não vai estar aqui quando elas cicatrizarem. Eu não vou estar aqui quando elas cicatrizarem. Não, não é uma ameaça, baby, nem estou pedindo pra que mude de atitude, só queria lhe contar que eu sei sobreviver, ok? Tu que sempre quis cuidar de mim, não é? Olha que progresso, me deixou aos meus próprios cuidados quando estava sangrando. Obrigada por me deixar brincar um pouco de ser eu mesmo.
Ah, que bom que chegou, eu queria mesmo lhe dizer que eu sei, amanhã tu vai vir me dizer que não quer mais tudo isso, e que quer uma vida comigo. E eu vou acreditar mais uma vez. Eu sei disso, não precisa se sentir culpado, eu sabia no que estava me metendo quando entrei nessa. Eu sempre soube quem tu era. Mas quer mesmo saber? Eu achei, eu achei sim que eu fosse capaz de mudar tudo isso, fui arrogante o bastante pra falar pra mim mesmo que comigo seria diferente. Eu sei, bobagens, mas as pessoas tem o direito se sonhar, de superestimar suas capacidades as vezes não tem? Ah, não me diga que não, olha pra você, que sempre quis alguém que não se importasse, que aceitasse tudo, feliz por simplesmente te ter ao lado. E onde ele está agora? Não, não olhe pra mim assim, eu não sou essa pessoa, eu ainda sou meu, ainda não me perdi totalmente em ti. Oh, claro, vou te deixar dormir, não se preocupe com todas essa coisas que eu digo eu só queria, bem, boa noite. Ah, claro, pode deixar, eu junto as garrafas de cerveja. Eu sei, eu sei, eu também te amo.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Felicidade




Os dias tem sido ótimos. Museus, galerias, lojas de antiguidades, restaurantes, bibliotecas abarrotadas de livros esperando para serem lidos... por mim, é o mundo que eu sempre quis, ao alcance das minhas mãos como nunca esteve. Essa cidade é incrível e a tua presença torna tudo um filme, um filme mudo onde minhas expressões, gestos e olhares demonstram mais do que qualquer palavra. Eu me afogo nos teus olhos e o meu único pensamento é que tu não desvie o olhar, sorrir não é mais um pensamento, é uma ação automática. Te ter do meu lado, como antes não tinha, mesmo que estivéssemos juntos, é o melhor presente, é a melhor coisa que aconteceu e vale muito mais do que qualquer lugar maravilhoso que eu possa visitar ou qualquer recanto curioso ao qual tu me leve, quando eu, distraída, penso em apenas segurar a tua mão. Teus olhos perseguindo meus passos e meus olhos em direção a uma nova descoberta, a um novo sorriso, me guiam e me levam sem medo algum pra onde eu quis sempre estar, eu sempre soube que os dias ao teu lado seriam incríveis, mas eu nunca imaginei que não importa o que fizéssemos, seriam perfeitos.
A estrada a nossa frente é limpa, deixamos pra trás cones e bifurcações e guardas de transito e semáforos. Aonde isso vai levar? Sinceramente eu não me importo, só preciso que tu pilote esse carro comigo. Vem comigo? Sozinha eu não consigo, aliás eu consigo, mas eu não quero. Preciso de ti como co-piloto, preciso de ti pra me impedir de cair nos buracos. Preciso de ti pra dizer “não vai por aí”, ao que eu, provavelmente vou responder que “eu sei o que estou fazendo” e na primeira curva vou derrapar, cair e tu vai dizer “eu avisei, mas tudo bem, agora é por aqui, vai me escutar agora?” Eu quero tu do meu lado comigo, eu quero tu aqui, comigo e sem querer sair.
Obrigada por salvar o meu dia, obrigada por salvar a minha vida. Eu te amo.

Falta



Hoje é sábado, são 23:27, estou de plantão no hospital, mas não queria estar aqui. Tem um bip tocando, eu vou ter que atender um paciente, mas precisava escrever isso, pra não acabar desabafando com algum desconhecido.
Esperando que tudo pare um pouco pra que eu possa respirar eu fico sentada aqui, no meio de um milhão de papéis, de um milhão de pacientes esperando minha atenção. Estou pensando em mil desculpas pra ti não ter ligado e deixando de pensar na razão real: Tu não quis.
Ok, ok, sou forte o suficiente para agüentar isso, não vou dizer que chorei, nem vou dizer que esperei. Mas eu espero, eu sempre espero.
Tudo vai ser igual amanhã, tu vai aparecer e eu vou novamente fingir que nada aconteceu, talvez venham me contar que te encontraram em algum bar, em alguma boca que não é a minha, e eu vou fingir que não acredito, tu vai dizer que me ama e eu vou fingir que não tenho dúvidas, eu vou dizer que te amo e fingir que não é muito mais do que eu poderia.
Eu só queria dizer que não espero nada de você. Nem sua presença, nem noticias, não espero telefonemas, nem espero que se lembre de mim. Eu não espero nada de você.
Eu espero você. Inteiro

A noite trás toda a calma e certeza de um outro dia, toda a confiança de um dia melhor amanhã, é tudo o que eu preciso: um dia melhor amanhã.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Salvação



“Droga”, pensou “8:37”, ele já deve ter chegado”. Apressou o passo enquanto o cigarro queimava em sua mão. “Porque mesmo eu aceitei esse emprego á tarde, se eu sabia que só teria a manhã livre? Agora não importa”
Ele estaria lá, esperando por ela, eles se beijariam, se abraçariam e falariam sobre bobagens cotidianas. Ele falaria, falaria, falaria, ela ouviria, ouviria, ouviria e quando ele parasse ela pediria pra ele continuar, por que o som da voz dele faz ela respirar. Ela olharia aqueles olhos verdes e brilhantes esperando não ser salva da hipnose que eles sempre lhe causam.
Entrou em um bar procurando chicletes, ela emanava nicotina. Mãos, boca, bolsos, lábios. “É a ansiedade, meu bem.” Falou pra si mesma.
“Não pode fumar aqui dentro”, ouviu de uma voz esganiçada. Olhou em volta, encontrando  a dona., uma prostituta provavelmente voltando do trabalho.
Ela lhe mostrou a cartela de chicletes.
“Eu já vou sair”.
“Não importa”
A noite pra ela não deve ter sido boa. “Lamento, a minha também não foi.” Pensou “Conta até dez, conta. CONTA... 1, 2, 3... Não dessa vez.”
Caminhou devagar, olhando aqueles olhos, aquelas rugas, aquela boca vermelha de batom gasto pelo contato com o copo de vinho barato sobre a mesa.
“Eu sinto muito, não vou mais te atrapalhar” falou, apagando o cigarro no prato vazio e sujo sobre a mesa dela e saindo dali.
8:52. “Ótimo” pensou, ironizando a situação.
Apressou o passo mais uma vez olhando fixo pra onde ele estaria esperando.
Ele estava lá. Eles se abraçaram, se beijaram e falaram sobre bobagens cotidianas, ela olhou nos olhos dele hipnotizada por aquele verde brilhante.
“Eu te amo”.
“Obrigada por salvar o meu dia”. Ela respondeu.
“Obrigado por salvar a minha vida”. Foi o que ela quis dizer.