É, voltei a escrever. Sabe, são três da manha e tu ainda não apareceu. Mas quer saber ; Eu não parei de respirar, não morri. Sei que tu foi procurar mais uma vez em outras bocas o que não encontrou na minha. Gosto de vodka? Oh, querido, devia estar aqui então, por que foi ela que me ajudou a ficar inteiro. Não inteiro completamente, nunca superestimei o seu poder, mas eu não desmoronei, nem me desfiz em pedaços apesar das rachaduras. Não se preocupe com isso, você não vai estar aqui quando elas cicatrizarem. Eu não vou estar aqui quando elas cicatrizarem. Não, não é uma ameaça, baby, nem estou pedindo pra que mude de atitude, só queria lhe contar que eu sei sobreviver, ok? Tu que sempre quis cuidar de mim, não é? Olha que progresso, me deixou aos meus próprios cuidados quando estava sangrando. Obrigada por me deixar brincar um pouco de ser eu mesmo.
Ah, que bom que chegou, eu queria mesmo lhe dizer que eu sei, amanhã tu vai vir me dizer que não quer mais tudo isso, e que quer uma vida comigo. E eu vou acreditar mais uma vez. Eu sei disso, não precisa se sentir culpado, eu sabia no que estava me metendo quando entrei nessa. Eu sempre soube quem tu era. Mas quer mesmo saber? Eu achei, eu achei sim que eu fosse capaz de mudar tudo isso, fui arrogante o bastante pra falar pra mim mesmo que comigo seria diferente. Eu sei, bobagens, mas as pessoas tem o direito se sonhar, de superestimar suas capacidades as vezes não tem? Ah, não me diga que não, olha pra você, que sempre quis alguém que não se importasse, que aceitasse tudo, feliz por simplesmente te ter ao lado. E onde ele está agora? Não, não olhe pra mim assim, eu não sou essa pessoa, eu ainda sou meu, ainda não me perdi totalmente em ti. Oh, claro, vou te deixar dormir, não se preocupe com todas essa coisas que eu digo eu só queria, bem, boa noite. Ah, claro, pode deixar, eu junto as garrafas de cerveja. Eu sei, eu sei, eu também te amo.

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