Ela queria que todos soubessem como ela se sente, ela não fala, nunca fala, e mesmo quando todos falavam, ela só escutava, não formulou nada, nem uma maldita frase. Ela é assim: inutilmente muda, e muda, renuncia à qualquer palavra.
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Fuga
Olhando pela janela, ela se depara com a chuva. Não há como não lembrar-se dele. Não importa o que aconteceu depois, aqueles dias vividos não se apagaram e voltam, revivem, reviram sua vida.
-- Já quer ir embora? –ela ouve, ao pé do seu ouvido.
-- Não.
-- Volta pra cama então.
-- Já vou.
Ele sai, mas ela continua lá.
-- Rápido, to te esperando – Ele grita, do quarto.
Ela se pergunta por que está ali, com aquela pessoa que fingi que ama, que finge que tem saudade, que finge que tem um futuro.
A chuva não para de cair. Ela põe suas roupas, pega suas coisas e sai. Sem bilhete de despedida, sem lugar pra ir. Ela não sabe onde ele está e nem o que estará fazendo, mas ela corre, ela se molha, ela vai encontrá-lo, ela vai parar de fugir, parar de fingir, ela vai viver.
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