domingo, 6 de fevereiro de 2011

Falta



Hoje é sábado, são 23:27, estou de plantão no hospital, mas não queria estar aqui. Tem um bip tocando, eu vou ter que atender um paciente, mas precisava escrever isso, pra não acabar desabafando com algum desconhecido.
Esperando que tudo pare um pouco pra que eu possa respirar eu fico sentada aqui, no meio de um milhão de papéis, de um milhão de pacientes esperando minha atenção. Estou pensando em mil desculpas pra ti não ter ligado e deixando de pensar na razão real: Tu não quis.
Ok, ok, sou forte o suficiente para agüentar isso, não vou dizer que chorei, nem vou dizer que esperei. Mas eu espero, eu sempre espero.
Tudo vai ser igual amanhã, tu vai aparecer e eu vou novamente fingir que nada aconteceu, talvez venham me contar que te encontraram em algum bar, em alguma boca que não é a minha, e eu vou fingir que não acredito, tu vai dizer que me ama e eu vou fingir que não tenho dúvidas, eu vou dizer que te amo e fingir que não é muito mais do que eu poderia.
Eu só queria dizer que não espero nada de você. Nem sua presença, nem noticias, não espero telefonemas, nem espero que se lembre de mim. Eu não espero nada de você.
Eu espero você. Inteiro

A noite trás toda a calma e certeza de um outro dia, toda a confiança de um dia melhor amanhã, é tudo o que eu preciso: um dia melhor amanhã.

Nenhum comentário:

Postar um comentário