“Droga”, pensou “8:37”, ele já deve ter chegado”. Apressou o passo enquanto o cigarro queimava em sua mão. “Porque mesmo eu aceitei esse emprego á tarde, se eu sabia que só teria a manhã livre? Agora não importa”
Ele estaria lá, esperando por ela, eles se beijariam, se abraçariam e falariam sobre bobagens cotidianas. Ele falaria, falaria, falaria, ela ouviria, ouviria, ouviria e quando ele parasse ela pediria pra ele continuar, por que o som da voz dele faz ela respirar. Ela olharia aqueles olhos verdes e brilhantes esperando não ser salva da hipnose que eles sempre lhe causam.
Entrou em um bar procurando chicletes, ela emanava nicotina. Mãos, boca, bolsos, lábios. “É a ansiedade, meu bem.” Falou pra si mesma.
“Não pode fumar aqui dentro”, ouviu de uma voz esganiçada. Olhou em volta, encontrando a dona., uma prostituta provavelmente voltando do trabalho.
Ela lhe mostrou a cartela de chicletes.
“Eu já vou sair”.
“Não importa”
A noite pra ela não deve ter sido boa. “Lamento, a minha também não foi.” Pensou “Conta até dez, conta. CONTA... 1, 2, 3... Não dessa vez.”
Caminhou devagar, olhando aqueles olhos, aquelas rugas, aquela boca vermelha de batom gasto pelo contato com o copo de vinho barato sobre a mesa.
“Eu sinto muito, não vou mais te atrapalhar” falou, apagando o cigarro no prato vazio e sujo sobre a mesa dela e saindo dali.
8:52. “Ótimo” pensou, ironizando a situação.
Apressou o passo mais uma vez olhando fixo pra onde ele estaria esperando.
Ele estava lá. Eles se abraçaram, se beijaram e falaram sobre bobagens cotidianas, ela olhou nos olhos dele hipnotizada por aquele verde brilhante.
“Eu te amo”.
“Obrigada por salvar o meu dia”. Ela respondeu.
“Obrigado por salvar a minha vida”. Foi o que ela quis dizer.

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