domingo, 24 de abril de 2011

Metáfora de Final de Semana



Certas situações tendem a dar errado quando estamos nervosos ou com medo.
Momentos que se perdem pela insegurança que sentimos em relação à coisas que julgamos realmente importantes;
E que, por vezes, acreditamos serem nossa maior fonte de inspiração;
Essas situações acabam num verdadeiro desastre, e por quê? Porque perdemos as palavras ao encontrar algo ou alguem que julgamos ser tão importantes, e que algumas vezes, nem merece tanta atenção;
Ou às vezes pela idéia fixa que guardamos; achando que atingira asua meta facilmente. é tudo uma questao de costume, este eterno costume que criamos ao realizarmos algo apenas com uma pessoa;
Ninguém pode ser monopolizado, e às vezes esquecemos disso e dispomos toda a nossa atenção à uma unica pessoa;
é, eu devia ter pensado nisso antes de gastar tanto tempo. Mas veja bem, eu só disse gastar;
E agora percebo que gastei tanto tempo com uma só pessoa e esqueci o resto, pensando na tal fidelidade, lealdade, que é tão facilmente suplantada por momentos em que não corremos risco algum de magoar-nos ou magoar outras pessoas;
O grande lance é pensar que aquele momento durará  para sempre, sabendo que se apagará da porta para fora;
E assim o aproveitamos e tiramos o máximo dele, como não fariamos se pensassemos de outra forma;
Então preste bem atenção: eu gosto muito de ti, muito mesmo, mas respeite o espaço que existe por de trás daquela porta;
Pois ali existe o meu mundo. Um mundo do qual  você não ouviu falar, nem nos seus livros e nem nos seus discos;
Um mundo onde tudo que penso se concretiza, onde o seu espaço é construido pela minha vontade
Onde a sua vontade é construida pela minha vontade
Onde o seu destino é traçado depois do meu;
E o meu destino é te fazer descobrir tudo, mas preciso do meu tempo, preciso manter essa porta fechada agora porque, no momento, quero que o meu destino seja feito por ti apesar de todas as desconsiderações;
Sinceramente, eu cansei dessa subjetividade. Espero sepultá-la com este texto, numa tentativa desesperada de salvar nossas ruínas, para que assim eu nao tenha que te sepultar também!

Texto de Pedro Porlock e Francielli Moraes.

Postado também em:
http://porlockblog.blogspot.com/2011/04/metafora-de-final-de-semana.html 

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Drama



A gente é mesmo tão maior que todos esses dramas? Pois não deveriamos ser, talvez fosse bem mais fácil se parassemos de dramatizar nossos casos e alongar nossos abraços.
Talvez fosse melhor apenas deixar pra lá.

Para Juliteta.




         Eu espero que você esteja sofrendo com todos aqueles pequenos problemas que, quando se juntam, tornam sua vida um inferno. As chaves esquecidas em algum lugar, os arranhados na lente dos óculos, o sinaleiro que fecha, a fila que não anda, o dente que dói, o cabelo que não cresce ou que cai, o copo que cai, o elevador que não sobe logo, a buzina que não funciona, o computador que não funciona...

         A tua memória ainda funciona?

         Eu espero que você saia da putaria elegante, do alcoolismo, de dentro da sua cabeça que acha tão ampla e sofisticada, do selvagerismo, do seu carro pra perguntar o endereço.

         O meu endereço.

         Eu esperava que as desconstruções sobre sua falta de moral te ajudassem a regenerar. Mas você continua de pijama, com os livros ainda jogados pelo quarto, os rascunhos entupindo as gavetas, sentada na cama segurando em uma mão um tijolo, e o copo de café na outra.

         Eu esperava que você percebesse o erro das ligações que ainda não foram feitas, das garrafas espalhadas no piso do carro. A falta dos abraços, dos gostos que pensa serem refinados, mas são uma negação.

         Eu esperava que fosses sincera. Abrisse a boca pra falar a verdade, ao menos por telefone. Não era preciso sair de casa, carregar o pesado e transbordante copo de wisky por tantas ruas. Eu pedi apenas para gritar confirmando meus problemas, nada de esforços além de, talvez, exceder a voz.



Postado por Arthur Mesquita em:
http://fimdecapitulo.blogspot.com/


E ele tem toda razão.

Neal



Equilibrou a taça no peito do pé. Apostara um beijo que o faria. Ao receber o prêmio deixou que o vinho derramasse. Não faz mal, amor é desalinho.
- Sempre quis teu beijo pra meu desjejum. E logo cedo ouvir tua voz ainda rouca me dando bom dia baixinho...
Como é bom ver a compatibilidade das nossas inúmeras imperfeições, e como a gente se ajeita, se afunila, se enrosca e sempre se perdoa. Vai ver o amor é assim, vai ver o amor tá nisso.
Hoje me vejo te amando. Inteiramente, sabe? De-domingo-a-domingo.
A gente não fica chovendo eus-te-amo, não é bem assim.  Se diz, é declarado sem pressa, sempre um ‘eu-te-amo-aurora’ rosadinho e lindo... Daquela forma de parar, encarar e dizer como quem confessa e premia; uma particularidade toda banhada à entrega.
Quando você está feliz vira ator de quinta, disfarça mal a cara imbecil que a felicidade te dá. É como aquela cara boba que faço tentando segurar o riso quando você me provoca, ou a expressão presença-e-fantasia desenhada na minha testa de todos os outros mundos que eu só vejo quando você me abraça...
Você é minha estação inalterável: tua simplicidade me banha e me acalma no verão, teu improviso piegas colore a minha primavera, tua sobriedade me dá segurança no outono, o teu toque afogueia e aquece meu inverno.
Você não me completa, eu não te completo: somos inteiros, amalgamados.
Você que me sabe muitas: aprendeu a caçar minhas bruxas e se deliciar com minhas fadas.
Acho que eu posso dizer o que toda mulher sonha em dizer um dia (e dá até aquele friozinho na barriga)... É que acabou a minha espera. A minha procura terminou na tua porta, dear. Sei que você planejou isso, tá aí a tua vitória: estou me jogando, vou preencher finalmente esses teus braços abertos.
Tira o sapato e fica à vontade... Sabe o meu coração? - Aquele mesmo marcado e cansado - É tua casa agora.

Relicário

              Talvez eu não precise de um plano B. Talvez eu que devesse encarar aquele muro branco e eliminar alguns problemas da minha vida. Quem sabe assim a hora que eu me olhasse no espelho fizesse algo a mais do que tossir. Para falar bem a verdade, talvez eu nem devesse agradecer às pessoas pelo que elas fazem por mim; muito menos homenagear grandes amizades ou me inspirar com pessoas ímpares.
              Talvez isso nao signifique tanto pra ti, já é provável que o nosso banquete tenha esfriado. Mas, mesmo assim, eu continuo tentando erguer minha critavidade sustentada por essas simples inpirações; que vêm com o vento e logo se vão, tornando-se mais uma fotografia, arquivada neste imenso espaço.
              Começo a pensar que não sou tão brilhante assim, que este mimetismo é obra da ambiguidade gerada pelos milhares de pensamentos desenvolvidos por personagens contraditórios. Mas eu bem que te avisei, eu te disse que isto iria machucar de vez em quando. O pouco fogo que restou nesta fogueira ainda queima. Só te peço para não parar de tentar, o tempo pode ser curto e a distânca enorme, mas ainda habita uma chama aí dentro, uma chama da insiginificância de ser alguém digno de exílio, mas que por muitas vezes conseguiu te esquentar em uma escada, ou com uma bela mensagem na carteira...

Por Pedro Porlock em:
http://porlockblog.blogspot.com/2011/04/relicario-de-postagens.html

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Vilã

Não ha nada que ela possa fazer, o mundo acordou virado e tudo deixou de ser.
É facil andar assim tão livre? tão sem vida quanto tu queria, não? Talvez essas meias não sejam feitas para os seus pés.
Ela busca alguma compreensão em tudo, se joga na primeira emoção que lhe passa pela mente e esquece-se de onde seus pés estão firmados.

-- Posso saber por que, senhorita?
-- Por que o que?
-- O por que de tantas crises.
-- Ainda não entendeu? Essa sou eu, essas crises são eu, e a tua ideia de mim é falsa, burra e mentirosa.
-- Falsas e mentirosas foram tuas palavras.
-- Sim, eu sei, e eu avisei.
-- Sim, tu avisou, meu deus, quanta hipocresia.
-- Não precisa mais se preocupar com a minha hipocresia.

Hipócrita, egoista, falsa, mentirosa, egocentrica, subjetiva. Faltou alguma coisa?
Faltaram muitas coisas, mas seus defeitos não são relevantes, apenas a sua atitude diante deles.
Grande vilã, essa é você.

-- Oh, querida, tão linda é você, por que me faz tanto mal?
-- Oh, meu bem, engula sua poesia e saia da minha frente, seus passos estão sujando a minha varanda.

Sua sombra, sua reflexo, sua imagem, tudo o que ela transpaeceu foi falso e mentiroso, mas o tolo foi tu de ter acredito quando aquele olhos de taurina pareciam dizer eu te amo.
Eles não diziam nada.

domingo, 3 de abril de 2011

Borracha Mental

Uma parede branca é tudo o que ela vê.  Algo que a enlouquece, transformando qualquer coisa memorizada como emoção em nada. Aquilo que um dia foi uma vida hoje não passa de uma carapaça já usada;  perdeu  importância. Nesse maldito muro ela enxerga seus antigos amores serem apagados pelo branco. Ele é como o fogo, consome tudo o que vê pela frente, até mesmo aquele relacionamento que não teve a oportunidade de se desenvolver. Ela sente pela última vez o arrependimento de ter  partido para outra cidade sem ao menos dar uma chance aquele garoto. Este será  o último momento de saudade, pois logo, logo o branco o tragará também.  Sua família, seu cachorro, seu amado instrumento musical. Tudo isso será engolido por aquele monstro sem feições. E o pior de tudo é que nada parece intragável para ele.
                É ruim sentir a sua vida partir? Bom, talvez você tenha merecido isso! Ninguém vem parar num quarto desses sem ter um bom motivo. Se é ou não é um castigo eu não posso responder, venho aqui unicamente para que tenhas alguém que fale contigo. Aproveite que nem tudo foi digerido e escolha um formato para mim. Dê-me um nome que lhe agrade bastante e deixe-me lhe fazer sorrir enquanto ele não te come, se realmente for capaz disso.  Lembra do dia em que o conheceu? Aquele lindo casaco preto, o seu cheiro, sua barba mal feita, tudo isso cooperou para que o seu interesse aumentasse cada vez mais. E aí, quando tudo parece correr exatamente como gostaria, você o abandona, com o fictício pretexto de que não quer se envolver por medo de se apaixonar após a viagem.  Sinceramente, tomara que você nunca o esqueça, pois...
                Não há mais o que pensar, não há mais o que refletir. Aquela parede branca consumiu todos os pensamentos que na garota  habitavam. Ironicamente, a porta deste quarto esteve aberta o tempo todo; se a fuga não foi realizada é porque havia algum interesse em esquecer  tudo. Sempre há um interesse. Ele é o alimento da esperança, por isso ela é a última que morre, e por isso você correu novamente para esta maldita parede: para ser feliz de novo e sair zerada daqui, totalmente pura. Até a próxima visita...
 Por Pedro Porlock:
http://porlockblog.blogspot.com/2011/03/borracha-mental.html

Para a moça sentada na escada.



Ela vaga por aí
sozinha, mas tão acompanhada
pelas memórias cristalizadas
no seu coração partido

Eu posso te ajudar
Sim, eu posso te ouvir
e não se surpreenda
Se eu lhe der um presente de novo

ela não tem 20 anos
e já age como uma esposa
procurando um marido perfeito
entre amantes ingratos

Eu a vi na noite
tão sozinha, tão doente
foi a minha mão
que te esquentou

Encontre alguém de verdade
mostre seus desejos a ele
e, se não der certo
posso te esquentar mais uma noite

Você chorou, você riu
você amou, você viveu
e eu só posso dizer
que te esquentei

Foram palavras doces
gestos amáveis
lembranças de um passado frio
que não vivemos mais

e eu só consegui te esquentar
Por Pedro Porlock:
http://porlockblog.blogspot.com/2011/04/para-moca-sentada-na-escada.html

Poças



Não foi fácil acordar pela manhã e saber que lá fora chovia, tudo bem, eu estava seca e aquecida em casa, mas o que me impedia de sair e me molhar? Algum conselho?
Ah, esquece esses problemas que nem são teus, deixa os sapatos e corre pelas poças d'agua. Aproveita a vida, guria. Aproveita a chuva.
Eu sabia que poças d'agua causam resfriados, pés molhados e meias sujas, mas devia saber que também fazem tu perder celular, moedas e a noção do tempo. Fazem tu sentir uma liberdade boba e instantanea que acaba, junto com tua dignidade, e com as promessas feitas pra si mesmo e pros outros.
Perdendo celular, moedas, a noção do tempo, todos os meus cigarros e a veracidade da minha palavra eu fui pulando poças. Acabei sozinha e enxarcada.
O incompreensível de tudo isso foi tua reação em me entregar uma toalha, um café e dizer: Esquece tudo, hoje já faz sol.
O sol brilha, e eu te amo mais do que nunca.

Querido marido,



Tem sido bastante difíceis esses dias, é que tem faltado algo sabe? Uma dupla, a ligação já esperada, aquele ‘liguei só pra dar boa noite’. É que fiquei bastante surpresa com a falta que tu faz. Oi plano B, difícil confessar que tu esteve no alfabeto das opções, já que sempre pensei ser nada mais que um amigo. Pois é, mas me diz agora, como se deu ao luxo de ter essa importância toda? Como te deixei fazer isso?
Não sei, não descobri, e é tarde e difícil demais mudar isso.
Só sei que tua amizade faz falta, mais que amizade, tudo isso que tu és, tudo isso que já faz parte de mim, tudo isso que faz tanto sentido pra mim, tudo o que nenhuma camada de tinta branca ou preta pode suplantar. Mais que uma opção, tu te tornou especial, te tornou indispensável. E eu to ficando piegas e clichê, mas só queria dizer que sinto tua falta. A lot.
Com amor, journalistka, sua esposa.

Loucura



E ele estava ali, com aquela frieza crônica de quem quer desistir, de quem não tem coragem pra isso. Por que mesmo que não pareça, parar de tentar requer muita coragem. Ele sobrevivia no limbo entre a desistencia e a continuidade sem expectativas, não faria nada, estava a beira da loucura e ja não esperava ser salvo, pois sabia que ja não havia salvação, sabia que o barco estava furado e os remos, ha muito, ja haviam sido jogados no mar.

Escondido sobre a cama, dentro de livros e entre recortes de jornal, inventividade de quem tenta se manter dentro de tudo isso que chamamos de vida, de relações pessoais e toda essa merda na qual todos nós participamos com menor ou maior talento. Ele queria era se sentir parte de algo, algo que ele sabia existir pra todos, mas que de algum modo não servia pra ele, ou servia e ele não queria, e mesmo que quisesse, não conseguiria, e sabia disso, mas ainda assim tentava, desistindo momentaneamente pra depois voltar a tentar e voltar a desistir.

Ele até pensava em fugir, mesmo sabendo que não teria muita chance caso pulasse alguma janela, ele sabia que no segundo anterior ao pulo, ele pararia e não ousaria, por que desistir requer muita coragem, coragem que ele não tinha. Ele queria pular, ele realmente queria, ele sabia que nada mais seria temeroso ou causador de qualquer dano maior que continuar escondido sob lençóis, entre paredes e paradas e tentativas fracassadas de uma libertação ilusória. Talvez ele até parasse de ouvi campainhas e vozes que não falavam com ele, vozes em corredores que não chegavam até a sua porta, ja que ela não abriria nunca, não importa quem batesse. Uma porta sem maçaneta não pode ser aberta, e é impossivel movê-la.
Ele sabia que todas essas vozes e campainhas e batidas na porta eram ele mesmo e o que restava da própria compreensão comum sobre todas as coisas, era um chamado pra consciencia, pra existencia. E saber disso tudo, de todos os fatos da sua vida e todos os detalhes e por quês é que lhe atormentava, antes fosse tão alienado quanto nós, chamados tolamente de pessoas sãs.
Porque "Loucura, é sempre um extremo de lucidez. Um limite insuportável".