quinta-feira, 21 de abril de 2011

Neal



Equilibrou a taça no peito do pé. Apostara um beijo que o faria. Ao receber o prêmio deixou que o vinho derramasse. Não faz mal, amor é desalinho.
- Sempre quis teu beijo pra meu desjejum. E logo cedo ouvir tua voz ainda rouca me dando bom dia baixinho...
Como é bom ver a compatibilidade das nossas inúmeras imperfeições, e como a gente se ajeita, se afunila, se enrosca e sempre se perdoa. Vai ver o amor é assim, vai ver o amor tá nisso.
Hoje me vejo te amando. Inteiramente, sabe? De-domingo-a-domingo.
A gente não fica chovendo eus-te-amo, não é bem assim.  Se diz, é declarado sem pressa, sempre um ‘eu-te-amo-aurora’ rosadinho e lindo... Daquela forma de parar, encarar e dizer como quem confessa e premia; uma particularidade toda banhada à entrega.
Quando você está feliz vira ator de quinta, disfarça mal a cara imbecil que a felicidade te dá. É como aquela cara boba que faço tentando segurar o riso quando você me provoca, ou a expressão presença-e-fantasia desenhada na minha testa de todos os outros mundos que eu só vejo quando você me abraça...
Você é minha estação inalterável: tua simplicidade me banha e me acalma no verão, teu improviso piegas colore a minha primavera, tua sobriedade me dá segurança no outono, o teu toque afogueia e aquece meu inverno.
Você não me completa, eu não te completo: somos inteiros, amalgamados.
Você que me sabe muitas: aprendeu a caçar minhas bruxas e se deliciar com minhas fadas.
Acho que eu posso dizer o que toda mulher sonha em dizer um dia (e dá até aquele friozinho na barriga)... É que acabou a minha espera. A minha procura terminou na tua porta, dear. Sei que você planejou isso, tá aí a tua vitória: estou me jogando, vou preencher finalmente esses teus braços abertos.
Tira o sapato e fica à vontade... Sabe o meu coração? - Aquele mesmo marcado e cansado - É tua casa agora.

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