Ela queria que todos soubessem como ela se sente, ela não fala, nunca fala, e mesmo quando todos falavam, ela só escutava, não formulou nada, nem uma maldita frase. Ela é assim: inutilmente muda, e muda, renuncia à qualquer palavra.
domingo, 3 de abril de 2011
Poças
Não foi fácil acordar pela manhã e saber que lá fora chovia, tudo bem, eu estava seca e aquecida em casa, mas o que me impedia de sair e me molhar? Algum conselho?
Ah, esquece esses problemas que nem são teus, deixa os sapatos e corre pelas poças d'agua. Aproveita a vida, guria. Aproveita a chuva.
Eu sabia que poças d'agua causam resfriados, pés molhados e meias sujas, mas devia saber que também fazem tu perder celular, moedas e a noção do tempo. Fazem tu sentir uma liberdade boba e instantanea que acaba, junto com tua dignidade, e com as promessas feitas pra si mesmo e pros outros.
Perdendo celular, moedas, a noção do tempo, todos os meus cigarros e a veracidade da minha palavra eu fui pulando poças. Acabei sozinha e enxarcada.
O incompreensível de tudo isso foi tua reação em me entregar uma toalha, um café e dizer: Esquece tudo, hoje já faz sol.
O sol brilha, e eu te amo mais do que nunca.
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