Hoje teus lençóis estarão cheirosos e tua cama estará convidativa. ele está deitado e tenta te puxar para ficar mais um pouco. só mais um pouco. e então relutante te encaminhas ao banheiro, teu espelho está claro tua pele está boa e teu sorriso é amarelo pela cor e nunca pela situação. o café começa a tomar formas e a fumaça é bem-vinda e o jornal está na mesa. teus pratos estarão brilhando e tua caneca estará metade cheia. não falta açucar e doce é o líquido e doce é o tempo. corre o resto pela pia e o cano leva embora. então a água do chuveiro estará morna e a toalha é tão macia e o shampoo dá vontade de comer. a roupa está arrumada e te serve perfeitamente, teu beijo está ao lado e também um abracinho para qualquer situação. aí saem gargalhadas pequeninas enquanto o destino do sol é decidido. são muitas escolhas e enquanto isso todos ficam deitados olhando a janela olhando a si mesmos e gratos por serem assim tão felizes. colocam música e dançam admirando seus reflexos. não existe hora não existe choro não existe agonia e não existe perfeição. existe realidade e a realidade foi o que construíram e sem saber construir outra coisa fecharam a porta e escolheram ficar ali para sempre.
Postado originalmente em http://desfragmentada.blogspot.com/2011/05/das-recusas-e-das-escolhas.html
Ela queria que todos soubessem como ela se sente, ela não fala, nunca fala, e mesmo quando todos falavam, ela só escutava, não formulou nada, nem uma maldita frase. Ela é assim: inutilmente muda, e muda, renuncia à qualquer palavra.
segunda-feira, 13 de junho de 2011
O sol de sua manhã
Ele teve passos diferentes naquela manhã, longe de toda a lógica das horas que haviam passado ele levantou e foi tentar ver alguma esperança no rosto dela, o estomago vazio e os pensamentos a mil por hora. Ele sentou naquele mesmo banco em que ele ficara a dias a horas a esperar ela, era como se fosse um ritual de sentenças, mas naquele dia ele já sabia o que pensar em esperar. Sem saber o que pensar em ter sobre tudo, sem saber se sorria ou se chorava, ele estava ali com a cabeça pronta para pior e os minutos foram passando e passando. Ele pensou em acender um cigarro, porem já era meio dia e era lógico a situação, ela não mais queria ver a cara dele. Ainda sem acreditar nesta possibilidade, pois ele era burro e teimoso, ele levou sua carcaça e o pouco de esperança, por uma volta pela cidade, foi ter que ver com os próprios olhos, se não era ali, escondida por de trás de uma arvore com as mãos nos lábios a pensar se gritava seu nome. Não era, e nem tinha.
Não a encontrou e voltou a andar para casa. No caminho pensava em, como poderia ter estragado e perdido tudo que teve em menos de cinco minutos. No caminho ele se lembrou de suas gavetas, de um texto, uma observação em especial que ele nunca desejou ter escrito. Na época inspirado em werther ele tentou reproduzir um pequeno trecho em localização e tristeza, não sentiu fidelidade e nem sentido para as palavras ali descarregadas, salvou o texto e o guardou para quem sabe um dia, aproveitar um parágrafo ou uma idéia. Ele viu que as horas estavam a passar então moveu sua mente a uma ultima esperança, editou algumas palavras o texto de forma desleixosa porem sinceras. A ultima esperança se referia a um ponto de ônibus especifico, em uma hora especifica. Ele falara a ela que se caso a comunicação ficasse impossível, sempre em local e hora, ele por lá estaria a esperar. Seu coração não pensou de outra maneira e ele se deslocou para o local diretamente pouco depois de publicar o confuso texto. Ele ainda estava a andar e a pensar sobre o conteúdo do texto. Aquelas palavras tiram a todas as possibilidades, o ar fúnebre do herói e aceitação passiva dele, a condição que ele mesmo parece no texto impor não era algo aceitável a um humano. Ao chegar ao ponto de ônibus ele a ficar a observar um algum especifico, a pensar, se ela ainda nem tivesse chegado a cidade? Em como nunca deveria ser como o herói do texto. Ele olhou um ônibus que vinha de sua casa, porem não achou nada de familiar dentro deste. Voltou a olhar seus sapatos, apensar sobre os dias que estavam para chegar e em como seria estranho para ele e certamente para ela, como levar uma vida pós isso; foi quando avistou o contrario do que tinha visto a pouco, o ônibus que a estava levando para casa.
Sem saber nem como e nem porque, aquilo tudo que começou acontecer naquele momento despertou um todo de fé em sua pessoa. Quando a porta do ônibus parou exatamente frente ao lugar onde ela estava sentada ele começou a duvidar de toda a realidade que acontecia a sua volta. Ela a via como se não a visse a mais de um ano, como se tudo fosse a muito e a muito tempo, ele a olhava como se nunca mais fosse lhe ver. Quando o ônibus partiu ela ainda o olhava e ele tentou a seguir com os olhos. Ele não pensou em outra coisa que não fosse correr atrás daquele ônibus, porem ele acreditou com todas as suas forças que ela fosse descer dele, e assim ele foi em direção a ele até que ele se perdesse de seus olhos e que...
Um home tem que muitas vezes se render a sua fé e suas crenças. Acreditar que e o mundo lhe tem um carinho tão grande capaz de conspirar coisas a seu favor. Você não pode andar por essa terra acreditando somente que é seus punhos e sua mente que fazem da terra um lugar melhor. Ele que acreditava em Buda e que coisas boas feitas com sinceridades lhe abraçavam, não acreditou tanto quanto naqueles minutos que ele poderia receber tal graça. É preciso ser um bocado supersticioso, ele era desconfiado, ele era vazio e egocêntrico, ele acreditava em coisas que não poderia confiar cegamente. Ele era indiferente a milhares de coisas, mas para todas essas coisas o agora lhe mostrava o contrario, ela lhe mostrava o contrario.
Ao descer daquele ônibus, correr sobre o alto do viaduto da avenida Dorival de Oliveira ela o tirou todo o fôlego que ele carregava consigo. Ele simplesmente devia sentir que era parte de algo maior de que imaginava. O que ela acabara de fazer ao vim lhe abraçar e rir de sua cara lhe mostrara que ele estava mais certo do que nunca sobre ela, ela era maior, ela era bem maior e melhor que ele e que qualquer coisas que ele já tivesse tocado. Aquilo não era o que se pode de dizer que sim, era isso que era, pois era sim o entendimento entre duas pessoas que estavam tão ligadas uma outra, que tanto ele ao seguir o ônibus sabendo que ela desceria e ela ao descer, sabendo que aquele homem que a tanto lhe foi rude agora estaria ali arrependido de suas palavras e seus atos, e lhe imploraria seu perdão.
Era um sol de duas horas. Era inicio da tarde. Ele ainda a olhava com uma curiosidade divina sobre seus atos. Ele agora a respeitava ainda mais; não somente a ela mas o que eles haviam construído em tão pouco tempo, ela era sua mulher, sem duvida alguma. Era seis de junho, e ele tentou ver isso como algo bom.
Postado originalmente em http://sandersonloved.blogspot.com/2011/06/o-sol-de-sua-manha.html
Não a encontrou e voltou a andar para casa. No caminho pensava em, como poderia ter estragado e perdido tudo que teve em menos de cinco minutos. No caminho ele se lembrou de suas gavetas, de um texto, uma observação em especial que ele nunca desejou ter escrito. Na época inspirado em werther ele tentou reproduzir um pequeno trecho em localização e tristeza, não sentiu fidelidade e nem sentido para as palavras ali descarregadas, salvou o texto e o guardou para quem sabe um dia, aproveitar um parágrafo ou uma idéia. Ele viu que as horas estavam a passar então moveu sua mente a uma ultima esperança, editou algumas palavras o texto de forma desleixosa porem sinceras. A ultima esperança se referia a um ponto de ônibus especifico, em uma hora especifica. Ele falara a ela que se caso a comunicação ficasse impossível, sempre em local e hora, ele por lá estaria a esperar. Seu coração não pensou de outra maneira e ele se deslocou para o local diretamente pouco depois de publicar o confuso texto. Ele ainda estava a andar e a pensar sobre o conteúdo do texto. Aquelas palavras tiram a todas as possibilidades, o ar fúnebre do herói e aceitação passiva dele, a condição que ele mesmo parece no texto impor não era algo aceitável a um humano. Ao chegar ao ponto de ônibus ele a ficar a observar um algum especifico, a pensar, se ela ainda nem tivesse chegado a cidade? Em como nunca deveria ser como o herói do texto. Ele olhou um ônibus que vinha de sua casa, porem não achou nada de familiar dentro deste. Voltou a olhar seus sapatos, apensar sobre os dias que estavam para chegar e em como seria estranho para ele e certamente para ela, como levar uma vida pós isso; foi quando avistou o contrario do que tinha visto a pouco, o ônibus que a estava levando para casa.
Sem saber nem como e nem porque, aquilo tudo que começou acontecer naquele momento despertou um todo de fé em sua pessoa. Quando a porta do ônibus parou exatamente frente ao lugar onde ela estava sentada ele começou a duvidar de toda a realidade que acontecia a sua volta. Ela a via como se não a visse a mais de um ano, como se tudo fosse a muito e a muito tempo, ele a olhava como se nunca mais fosse lhe ver. Quando o ônibus partiu ela ainda o olhava e ele tentou a seguir com os olhos. Ele não pensou em outra coisa que não fosse correr atrás daquele ônibus, porem ele acreditou com todas as suas forças que ela fosse descer dele, e assim ele foi em direção a ele até que ele se perdesse de seus olhos e que...
Um home tem que muitas vezes se render a sua fé e suas crenças. Acreditar que e o mundo lhe tem um carinho tão grande capaz de conspirar coisas a seu favor. Você não pode andar por essa terra acreditando somente que é seus punhos e sua mente que fazem da terra um lugar melhor. Ele que acreditava em Buda e que coisas boas feitas com sinceridades lhe abraçavam, não acreditou tanto quanto naqueles minutos que ele poderia receber tal graça. É preciso ser um bocado supersticioso, ele era desconfiado, ele era vazio e egocêntrico, ele acreditava em coisas que não poderia confiar cegamente. Ele era indiferente a milhares de coisas, mas para todas essas coisas o agora lhe mostrava o contrario, ela lhe mostrava o contrario.
Ao descer daquele ônibus, correr sobre o alto do viaduto da avenida Dorival de Oliveira ela o tirou todo o fôlego que ele carregava consigo. Ele simplesmente devia sentir que era parte de algo maior de que imaginava. O que ela acabara de fazer ao vim lhe abraçar e rir de sua cara lhe mostrara que ele estava mais certo do que nunca sobre ela, ela era maior, ela era bem maior e melhor que ele e que qualquer coisas que ele já tivesse tocado. Aquilo não era o que se pode de dizer que sim, era isso que era, pois era sim o entendimento entre duas pessoas que estavam tão ligadas uma outra, que tanto ele ao seguir o ônibus sabendo que ela desceria e ela ao descer, sabendo que aquele homem que a tanto lhe foi rude agora estaria ali arrependido de suas palavras e seus atos, e lhe imploraria seu perdão.
Era um sol de duas horas. Era inicio da tarde. Ele ainda a olhava com uma curiosidade divina sobre seus atos. Ele agora a respeitava ainda mais; não somente a ela mas o que eles haviam construído em tão pouco tempo, ela era sua mulher, sem duvida alguma. Era seis de junho, e ele tentou ver isso como algo bom.
Postado originalmente em http://sandersonloved.blogspot.com/2011/06/o-sol-de-sua-manha.html
terça-feira, 7 de junho de 2011
Implosão
O que a gente construiu é maior que tudo isso, tu sabe. Começou forte, mas a cada erro, teu, meu, tem ficado mais vulnerável, eu só preciso que tu saiba que eu não vou mais ser a única a remontar cada pedaço destruido, eu não vou sempre estar disposta a recolher os pedaços caídos no chão que tu derrubou por vontade própria. Não vai ser sempre assim.
Mas posso te ajudar a rebocar paredes e pintar portas, é só dizer que quer. É só tentar comigo.
Mas posso te ajudar a rebocar paredes e pintar portas, é só dizer que quer. É só tentar comigo.
Escudos
Tu estava certo quando disse que eu veria o mundo com outros olhos agora. Eles estão abertos, minha confiança se foi, mas eu ainda estou aqui, é inevitável, meu amor por ti é incondicional e eu sei que tu pode ser um idiota mesmo quando não quer. Mas tu sabe que eu não vou mais tolerar essas atitudes destrutivas.
Acredite que eu posso cuidar de mim, e não preciso mais de ti pra isso, nem pra me proteger e nem pra me dizer o que fazer e como fazer. Não que eu não aceite teus conselhos, só decidi cuidar de mim sem depender de ti, eu decidi respirar o meu ar, já que foi provado, que existem momentos em que tu pára de respirar. E não é por me beijar. Não a mim.
Eu vou pedir pra você desligar o farol, porque daqui em diante eu sou meu próprio sol.
Tu, que brigou tanto por eu cuidar de ti quando, completamente fora de si, tropeçava nos próprios passos e passava frio por não lembrar de fechar o casaco, me mostrou que eu posso cuidar de mim quando tu não o faz. Sabe o que é mais idiota nisso tudo? É que eu sempre soube cuidar de mim mesma, mas desaprendi quando tu decidiu fazer isso por mim. Isso não vai mais acontecer. Agora eu só espero que tu cuide de si mesmo, e dos teus atos, por que eles já me feriram o bastante, e agora, largo as armas contra os outros pra segurar escudos contra ti. Que é quem mais pode me machucar.
Não sei se te culpo ou te agradeço, só sei que tudo isso foi tu quem fez.
Babaca e Idiota
Sabe de uma coisa? Tu tinha razão, eu sou mesmo uma babaca e idiota.
Babaca por ter aceito por tanto tempo tuas mentiras, tuas desculpas, tua desconsideração com todo mundo. Sou uma babaca por dizer tudo bem quando faltava a encontros por beber demais na outra noite. Sou uma babaca por confiar na tua palavra quando as provas e os fatos estavam na minha cara dizendo o contrário. Sou uma babaca por acreditar naquelas promessas. Sou uma babaca por te defender todas as vezes que, certas, as pessoas me contavam de um caráter falho e palavras falsas. Sou uma babaca, tu tem toda razão.
Mas, eu esqueci, sou uma idiota também, não sou? É, ainda acho que tem razão, foi muita idiotice da minha parte te aturar bêbado e chapado, dizendo que não tinha problema. Foi idiotice minha te deixar fazer sempre o que tinha vontade sem contar com a minha. Foi idiotice aceitar tua presunção, tua pretensão e tua arrogância, que eu sempre odiei tanto. Foi idiotice me afastar de pessoas importantes pra que não houvesse problemas futuros. Fui tão babaca e idiota em te deixar ter tanto de mim, te deixar ter tudo de mim, sendo que a única coisa que pedi foi a veracidade das tuas palavras, e o mínimo de controle sobre teus atos.
É realmente doloroso saber que pedi demais. Mas dói mais não conseguir aceitar menos.
Semelhança
Sabe qual o problema da minha mãe? Ela é otária.
Eu não tenho orgulho de admitir (na verdade tenho, mas não é bom falar sobre isso), mas desde que aprendi a andar de salto alto – o que já faz muito tempo - aprendi também tudo o que precisava pra convencer minha mãe do que eu queria. Aquela coisa do ‘ah, mãezinha, deixa vai’ funcionava muito bem. Por um tempo. Os anos passaram e as coisas mudaram. Passei a querer coisas que ela não aceitava, que não permitiria que eu participasse, então, tive que aperfeiçoar minha arte de conseguir permissão, e desenvolvi a arte da enrolação. Essa arte baseia-se na habilidade de dizer uma coisa, fazer outra, e ainda convencer a todos que estava fazendo o que disse. É mais complexa do que parece, requer tempo, prática e é claro, o dom. Mas chega um hora que as coisas desabam, existem coisas que não se sustentam por muito tempo. Tudo bem, tudo vem à tona e então aquela mãe perde toda a confiança. Nada mais justo. Mas minha mãe me ama, e como um grande sábio que eu conheço vive dizendo: Esse é o ponto. Ela me ama, e mesmo que eu erre, ela fica brava por alguns dias, as vezes por algumas horas, e depois releva. Detalhe: ela não esquece, ela releva. O porquê disso eu ainda não descobri, mas tem algo a ver com o amor que ela sente por mim. Então eu apronto, ela fica brava por algum tempinho, releva (e eu acho que ela esqueceu, mas não) e por um tempo ficamos bem. E o que acontece depois?
Então eu apronto de novo.
É, as coisas não são mais as mesmas da primeira vez, a confiança foi abalada, e é claro que ela fica com um pé atrás. Mas ela me ama, e pelos mesmos motivos pelos quais relevou pela primeira vez, releva na segunda.
Na terceira.
Na quarta.
Na quinta.
Na décima oitava.
Na qüinquagésima primeira.
Óbvio que existe uma hora que ela vai parar de confiar, mas ela ainda vai relevar, por que ela me ama.
Agora sabe qual o MEU problema? Eu sou igual a ela.
Entenda da forma que quiser.
Guerra
Você se acha tão esperto, não é? Com todas essas frases de efeito e essa grande sabedoria e conhecimento sobre os MEUS sentimentos. Sinto te dizer, mas você perdeu.
Se teus braços e teus abraços que sempre me trouxeram tanto conforto são tua única arma, e as incontáveis tentativas de me convencer que te amo são tuas balas, acho melhor pararmos de combater, tu pega em armas contra mim e contra as minhas decisões, mas desde quando você acha que sabe melhor de mim, do que eu?
Sim, companheiro, existem muitas coisas que eu vivi e você nunca viveu.
Seria fatal parar de dizer adeus. Essas incontáveis despedidas seriam substituídas por corpos nesse campo de batalha e, se alguém desistir, não haverá feridos. Muito menos heróis de guerra.
Tu culpa minha desistência por achar falta de coragem, falta de palavra, falta de ser eu mesma, e não percebe o quanto todas essas despedidas ultrapassam meus escudos e me ferem diretamente. Todos esses buracos em minha armadura, que fazem com que eu ainda fique vulnerável diante de ti são culpa desses adeus falhos que tu pensa não me afetarem.
Na minha janela, uma bandeira branca e os vidros fechados. Não olho o que há lá fora, ninguém sabe o que acontece aqui dentro.
Mas eu continuo aqui, e daqui, te vejo aí. E assim ficamos. Precisamos.
As vezes tu me dói tanto...
Romeo, não morra comigo.
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