Ele teve passos diferentes naquela manhã, longe de toda a lógica das horas que haviam passado ele levantou e foi tentar ver alguma esperança no rosto dela, o estomago vazio e os pensamentos a mil por hora. Ele sentou naquele mesmo banco em que ele ficara a dias a horas a esperar ela, era como se fosse um ritual de sentenças, mas naquele dia ele já sabia o que pensar em esperar. Sem saber o que pensar em ter sobre tudo, sem saber se sorria ou se chorava, ele estava ali com a cabeça pronta para pior e os minutos foram passando e passando. Ele pensou em acender um cigarro, porem já era meio dia e era lógico a situação, ela não mais queria ver a cara dele. Ainda sem acreditar nesta possibilidade, pois ele era burro e teimoso, ele levou sua carcaça e o pouco de esperança, por uma volta pela cidade, foi ter que ver com os próprios olhos, se não era ali, escondida por de trás de uma arvore com as mãos nos lábios a pensar se gritava seu nome. Não era, e nem tinha.
Não a encontrou e voltou a andar para casa. No caminho pensava em, como poderia ter estragado e perdido tudo que teve em menos de cinco minutos. No caminho ele se lembrou de suas gavetas, de um texto, uma observação em especial que ele nunca desejou ter escrito. Na época inspirado em werther ele tentou reproduzir um pequeno trecho em localização e tristeza, não sentiu fidelidade e nem sentido para as palavras ali descarregadas, salvou o texto e o guardou para quem sabe um dia, aproveitar um parágrafo ou uma idéia. Ele viu que as horas estavam a passar então moveu sua mente a uma ultima esperança, editou algumas palavras o texto de forma desleixosa porem sinceras. A ultima esperança se referia a um ponto de ônibus especifico, em uma hora especifica. Ele falara a ela que se caso a comunicação ficasse impossível, sempre em local e hora, ele por lá estaria a esperar. Seu coração não pensou de outra maneira e ele se deslocou para o local diretamente pouco depois de publicar o confuso texto. Ele ainda estava a andar e a pensar sobre o conteúdo do texto. Aquelas palavras tiram a todas as possibilidades, o ar fúnebre do herói e aceitação passiva dele, a condição que ele mesmo parece no texto impor não era algo aceitável a um humano. Ao chegar ao ponto de ônibus ele a ficar a observar um algum especifico, a pensar, se ela ainda nem tivesse chegado a cidade? Em como nunca deveria ser como o herói do texto. Ele olhou um ônibus que vinha de sua casa, porem não achou nada de familiar dentro deste. Voltou a olhar seus sapatos, apensar sobre os dias que estavam para chegar e em como seria estranho para ele e certamente para ela, como levar uma vida pós isso; foi quando avistou o contrario do que tinha visto a pouco, o ônibus que a estava levando para casa.
Sem saber nem como e nem porque, aquilo tudo que começou acontecer naquele momento despertou um todo de fé em sua pessoa. Quando a porta do ônibus parou exatamente frente ao lugar onde ela estava sentada ele começou a duvidar de toda a realidade que acontecia a sua volta. Ela a via como se não a visse a mais de um ano, como se tudo fosse a muito e a muito tempo, ele a olhava como se nunca mais fosse lhe ver. Quando o ônibus partiu ela ainda o olhava e ele tentou a seguir com os olhos. Ele não pensou em outra coisa que não fosse correr atrás daquele ônibus, porem ele acreditou com todas as suas forças que ela fosse descer dele, e assim ele foi em direção a ele até que ele se perdesse de seus olhos e que...
Um home tem que muitas vezes se render a sua fé e suas crenças. Acreditar que e o mundo lhe tem um carinho tão grande capaz de conspirar coisas a seu favor. Você não pode andar por essa terra acreditando somente que é seus punhos e sua mente que fazem da terra um lugar melhor. Ele que acreditava em Buda e que coisas boas feitas com sinceridades lhe abraçavam, não acreditou tanto quanto naqueles minutos que ele poderia receber tal graça. É preciso ser um bocado supersticioso, ele era desconfiado, ele era vazio e egocêntrico, ele acreditava em coisas que não poderia confiar cegamente. Ele era indiferente a milhares de coisas, mas para todas essas coisas o agora lhe mostrava o contrario, ela lhe mostrava o contrario.
Ao descer daquele ônibus, correr sobre o alto do viaduto da avenida Dorival de Oliveira ela o tirou todo o fôlego que ele carregava consigo. Ele simplesmente devia sentir que era parte de algo maior de que imaginava. O que ela acabara de fazer ao vim lhe abraçar e rir de sua cara lhe mostrara que ele estava mais certo do que nunca sobre ela, ela era maior, ela era bem maior e melhor que ele e que qualquer coisas que ele já tivesse tocado. Aquilo não era o que se pode de dizer que sim, era isso que era, pois era sim o entendimento entre duas pessoas que estavam tão ligadas uma outra, que tanto ele ao seguir o ônibus sabendo que ela desceria e ela ao descer, sabendo que aquele homem que a tanto lhe foi rude agora estaria ali arrependido de suas palavras e seus atos, e lhe imploraria seu perdão.
Era um sol de duas horas. Era inicio da tarde. Ele ainda a olhava com uma curiosidade divina sobre seus atos. Ele agora a respeitava ainda mais; não somente a ela mas o que eles haviam construído em tão pouco tempo, ela era sua mulher, sem duvida alguma. Era seis de junho, e ele tentou ver isso como algo bom.
Postado originalmente em http://sandersonloved.blogspot.com/2011/06/o-sol-de-sua-manha.html
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