quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Para ver se não foi você



Ela correu para janela como se alguém fosse passar para gritar seu nome. Não ouviu nada alem do som de carros obscuros a buzinar suas revoltas ao dia, ela estremeceu seus sentimentos ao ver que a luta de suas coisas valiosas, ficavam longe de seus desejos. Recolheu seus olhos como se abraçasse seus sentimentos para dentro de si. Conduziu seu caminho para junto da estrada de seu coração e levou seus sentidos para junto de seu eu que precisava e, assim se sentia, só. O levar de seu corpo para dentro da casa, a sala vazia lhe convidava para um sono. A sala vazia lhe trazia mais que isso, era um choro, mas ali, nestas varias pontuações finais, era assim que ela sorria. Ela relutou e lutou com um café cinza que repousava ao lado de um cigarro negro de metade fumada, metade já se ia dentro de si. Ela conduziu, como a muitas coisas em si, seus sentimentos para a banheira que esfriava a água de suas desilusões. Sonhou que seu beijo podia, assim ter, um lábio quente que lhe desse um toque de lhe tirar o sono, de te jogar pela janela, de te ver correr por aqui, sem sentido algum, para te ver pegar essa chuva e ver você neste seu frio, ser seu quente. De correr ao parapeito de todas as janelas, de todos os para-peitos de prédios, de todas as corres cinzas que seus olhos colorem minha vida, que toda as desordens que sua vida faz em minhas gavetas, que todas as memórias suas possam ser mais altas e audíveis que buzinas de carros.

Foi assim, que um pouco mais da uma hora da tarde de todos os sábados que ela acordou. Tentava entender seu nome, lembrar de seu rosto, de algum cheiro de algum gosto. Passava frente ao espelho por diversas vezes ate espirrar uma palavra consigo. Nunca saia um, ola. Ela arrumou suas malas e foi para Marakesh. Chegou a sentir um cheiro de festa estranha e embarcou no primeiro ônibus que chamou seu nome. Sentou a janela e tirou os tênis para sentir o trepidar das rodas pela estrada. Sentiu que seus olhos seguiam a falta de destino do horizonte perdido de sua jovem vida. Morreu um bocado, porem levantou antes que os vermes lhe devorassem. Era forte, ficou jovem e bonita, o tempo há de destruir seus olhos, mas ela ganhou, nestes tantos tombos, um sorrir mais torto e mais cheio de malicia que eram assim, como o machucar leve de uma rosa que não se deixa tocar. Como se você pudesse ver, ela lhe deixava o cheiro pela casa, te esperava depois do banho, e aguardava um doce seu a ponta da língua.

Queimar para correr, e a banheira agora cheira lhe e perfumava o corpo de emoções. Ela deitava seus pensamentos e sonhos no centro do teto do banheiro e cantava uma musica que lhe buscava toda a linha perdida do que se encontrou pelo caminho. Aquele seu amigo ligou, você deixou de atender o fone porque sabia que ele devia estar mais ocupado com seus cadarços que das horas que suas orelhas podiam ouvir. Ela secou seu corpo e vestiu lhe uma bela roupa para dançar, roulou uma musica e o drink já esquentava sobre a mesa. Ela ou ele estavam assim, um tanto atrasados. Ela puxou sua bolsa, desligou o celular, olhou a janela e saiu pela porta.

As ruas, suas pessoas e suas vidas. Ela não era assim, tímida ao invisível, mas escondia seu olhar se um rapaz bonito lhe olhava. Torcia pelo fato de que talvez pudesse sentir seu braço sendo puxado para um interrogar de seu nome. Torcia pelo fato que talvez, um belo par de sapatos pudesse lhe tirar toda a atenção do mundo. Torcia em se arrepender de desligar o celular, torcia para que tantos desastres fossem lhe natural em vida, que se revoltava ao ver que o certo lhe trazia de volta todas as esperanças. Era sempre aquele caminho, como era assim, chegar e respirar a janela que o vento pode lhe soprar, ter alguém ali que lhe gritasse, vem aqui, so para ter a razão em responder que a distancia era a mesma, que correr, não lhe fazia chegar ao inicio mais rápido, mas que para muitas vezes o final, mesmo que seja feliz, fosse mais breve.

Então era noite. Eu dormia em seus braços e sonhava em seu corpo. Você me aquecia, esperava adormecer e despertar. Você escondia a luz da janela que invadia nosso quarto pela manha e me trazia leite aquecido para abandonar meu inverno. Você me dizia coisas sobre a noite e eu lhe trazia o dia. Você saia para o trabalho e me deixava só com nossas janelas. Você nunca existiu em mim, mas sinto que você nunca saiu de mim. Você nunca me sussurrou eu te amo ao ouvido, porem é como se pudesse sentir sua respiração junto a minha. Você não existe aqui, mas ainda sim eu corro a janela todas as manhas para ver se não foi você que chamou pelo meu nome, por ter se arrependido de ter ido embora cedo.


Escrito no meu sofá, não por mim.



postado originalmente em http://sandersonloved.blogspot.com

2 comentários:

  1. assim como cada sentimento escondido de cada pessoa, sus confições são inebriantes e ao mesmo tempo tao angustiantes como a teia de uma aranha, como a angustia que sua presa sentirá ate a hora da morte, como a ansiedade de um primeiro beijo que nunca chega e assima de tudo como o anoitecer q nos traz ao mesmo tempo o conforto e o medo.

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