quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Falho.


Seria hilário se ela te chamasse como antigamente, até tu daria risada, tão ridícula tal situação. Se ela te visse os abraços não existiriam, tampouco os sorrisos.
Ela um dia precisou de ti, mas já faz tempo, tu não pôde ajudar, sempre tão ocupado com amantes e calmantes e com tua reputação que precisava ser observada e receberia riscos e manchas caso alguém conhecesse quem tu és, caso alguém conheça aquela pra quem tu não é mais nada. Alega ter saudade, mas somente a outros, para depois esquecer-se de aniversários, apresentações, formaturas ou todo e qualquer evento que tivesse a menor ou maior importância para alguém que queria só um pouco menos da tua ausência, da tua relutância em manter-se ali.
Tudo havia sido tão cautelosamente planejado e arquitetado, então por que, de repente, tu te esqueceste de todos os plano, de todos os desenganos, isolando-se e mantendo-se assim, como que fugindo de memórias e provas de uma vida passada?

Ela cresceu sem a tua presença, aprendeu a ler bons livros, ouvir bons discos, aprendeu a sair sem ter alguém para buscá-la, aprendeu a não depender de mesada, aprendeu a namorar e também a dirigir. Sem ti.
Ela não precisou de ti, não precisou da tua ajuda, dos teus conselhos e nem da tua companhia, e ainda não precisa.
Ela cresceu, sabia? É uma boa garota, caso queira saber, educada, inteligente e até divertida, ela tem alguns pontos de personalidade que lembram tu, mas não o caráter. Ela fala inglês, vai fazer faculdade, trabalha e está noiva.
Ela está bem, e vai ficar bem.
Sabe o que é melhor? Ela nem lembra de ti, ela não espera nada de ti. Mais nada de ti.
Mas ela devia, afinal, tu é o pai dela.

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